Integração e intercâmbio de conhecimento nas Américas

San Juan, Porto Rico

Como parte de sua missão de promover a excelência, a cooperação e o intercâmbio de conhecimentos entre as comunidades de engenharia do continente, a Academia Pan-Americana de Engenharia (API) participa do XVIII Congresso Nacional de Engenharia Civil 2026, um dos principais encontros científico-técnicos e profissionais de Honduras, organizado pelo Colégio de Engenheiros Civis de Honduras (CICH).

Nesse contexto, o Congresso contará com a participação do Dr. Jorge Vanegas, API, ex-presidente da Academia Pan-Americana de Engenharia no período 2020-2022, que ministrará uma palestra magna na qual compartilhará sua visão sobre um dos temas de maior relevância para o futuro da engenharia e o desenvolvimento de nossas sociedades.

Sob o lema “Criando conhecimento com engenharia de excelência”, o congresso reúne profissionais, pesquisadores, acadêmicos, estudantes e representantes do setor público e privado para analisar alguns dos principais desafios enfrentados pela infraestrutura da região, compartilhar avanços tecnológicos e promover soluções inovadoras voltadas ao desenvolvimento sustentável e ao fortalecimento da engenharia civil.

A agenda acadêmica inclui palestras magnas, painéis especializados e mesas de trabalho dedicadas a temas de grande relevância, entre eles a atualização do Código Hondurenho de Construção, a mitigação de riscos associados a taludes, a otimização de sistemas viários, a gestão de perdas de água e a resiliência na manutenção de represas. Além disso, esta edição presta homenagem à notável trajetória do engenheiro José Ramiro Zúñiga Soto, em reconhecimento às suas valiosas contribuições para o desenvolvimento da engenharia hondurenha.

A seguir, compartilhamos um resumo da apresentação do Dr. Vanegas.

Resumo da Apresentação da Palestra Magna Bloco # 3 do

XVIII Congresso de Engenharia Civil – Honduras

Um Ecossistema Inteligente Integrado para Edificações e Sistemas de Infraestrutura Civil

Esta apresentação oferece uma visão estratégica e profundamente integrada para transformar a indústria de edificações e sistemas de infraestrutura civil por meio da criação de um Ecossistema Inteligente Integrado para Edificações e Sistemas de Infraestrutura Civil (EII-E&SIC). O documento parte de um diagnóstico histórico: durante cinquenta anos, a indústria soube exatamente quais são seus problemas estruturais (baixa produtividade, decisões críticas tomadas com informações insuficientes, ativos que operam às cegas e mercados financeiros ávidos por dados confiáveis), mas doze grandes iniciativas empreendidas ao longo de cinco décadas falharam em resolvê-los de maneira sistêmica. Como afirma a apresentação, “todas e cada uma acertaram no diagnóstico, e todas e cada uma ficaram aquém”.

A apresentação argumenta que a razão desses fracassos não foi conceitual, mas tecnológica e estrutural: faltavam sensores ubíquos, infraestrutura de dados persistente, interoperabilidade, manufatura avançada, plataformas em nuvem e capacidades de inteligência artificial. Hoje, essas tecnologias existem e estão maduras, criando uma oportunidade histórica para integrar o que antes só podia ser abordado de maneira fragmentada. Essa convergência tecnológica abre as portas para uma plataforma de ciclo fechado que abrange toda a vida útil de um ativo, desde sua concepção até sua desativação, onde a experiência operacional retroalimenta continuamente o projeto e onde os dados físicos se traduzem em sinais financeiros em tempo real.

Esta apresentação desenvolve essa visão por meio de cinco pilares interdependentes. O Pilar 1: O Ciclo do Conhecimentopropõe uma infraestrutura persistente que capture a experiência operacional de cada instalação e a converta em inteligência acionável dentro do processo de projeto, substituindo listas de verificação estáticas por sistemas vivos de aprendizagem industrial. O Pilar 2: O Ecossistema Industrial propõe a criação de uma verdadeira indústria manufatureira para a construção, com módulos padronizados, fabricação robótica e canais digitais que conectem diretamente o projeto à produção. O Pilar 3: Infraestrutura Viva descreve ativos monitorados continuamente por meio de sensores interoperáveis e gêmeos digitais vivos, capazes de viabilizar a manutenção preditiva e melhorar a segurança, a eficiência e a transparência pública. O Pilar 4: Comunidades Regenerativas amplia a visão para ambientes construídos sustentáveis, saudáveis e resilientes, desde habitações inteligentes até cidades governadas por gêmeos digitais cívicos e fundos comunitários de dados. Finalmente, o Pilar 5: A Camada de Inteligência Financeiraconstitui o fundamento que traduz dados operacionais em sinais financeiros verificáveis, viabilizando contratos inteligentes, seguros paramétricos e relatórios de sustentabilidade conectados diretamente ao desempenho real.

A apresentação sustenta que esta integração não é inevitável, mas é alcançável pela primeira vez. Requer uma coalizão inédita que combine capacidades técnicas, financeiras, de manufatura, de padrões de dados e de participação comunitária. Nenhum ator sozinho possui todas essas competências, o que torna este momento uma oportunidade aberta para liderar uma transformação geracional do ambiente construído.

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